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1. Equipe de Liturgia
Para falarmos sobre Equipe de Liturgia não
devemos ir logo falando nas “funções” de cada um na
celebração, mas devemos primeiramente fazer
uma reflexão sobre a palavra Equipe.
Equipe é um grupo de pessoas que trabalham
harmoniosamente.
Em primeiro plano, podemos
deduzir que: são pessoas que se entendem! Uma Equipe existe, e
só tem sentido de existir, se tiver um
grande ideal, motivo, conquista etc. É justamente isto que move uma
Equipe, que vai impulsioná-la na busca de suas realizações.
Uma Equipe de Liturgia existe para um grande
trabalho, uma grande realização: animar as
celebrações.
Para animar, a Equipe não
pode ser desanimada. Para isto tem que estar preparada e ser bem
entrosada, o que, alias, é o segredo de
grandes vitórias das diversas equipes.
Como vimos acima, uma Equipe tem uma causa comum. A causa da Equipe de Liturgia é justamente o significado da palavra Liturgia: “Serviço”! A Equipe deve gostar de trabalhar; deve ser apaixonada pelo que faz, pois o amor é criativo. O amor não deixa nada faltar, nada esquecer e nem desanima. Por isso, amor e serviço caminham juntos. Afinal, por que as mães têm tanto trabalho com os filhos? Assim devem ser o amor, a postura e o objetivo de uma Equipe de Liturgia.
2. Quem faz parte da Equipe de Liturgia?
Muita gente pensa que Equipe de Liturgia é
composta somente por cantores e leitores. Não é só isto, não! Além dos cantores e leitores, temos: comentaristas,
instrumentistas, salmistas,
recepcionistas, sonoplastas e, se possível, decoradores e cartazistas que, com sua criatividade, colocarão
cartazes e símbolos para que o “visual” também esteja a serviço da Palavra.
Todas estas pessoas têm um
ministério litúrgico a ser desenvolvido. E para isto se faz
necessário um crescimento embasado numa
vivência de oração e unidade constante. A elas compete preparar as reuniões, planejar as celebrações,
tudo em perfeita sintonia. Também em perfeita sintonia com a Equipe deve
estar o vigário ou o que irá presidir a celebração.
3. As Funções de cada membro da Equipe
A. CANTOR
Ao cantor cabe a função de
animar a celebração com os cantos e hinos litúrgicos. Deve
ter boa voz, bom ouvido musical, senso
rítmico e muita comunicação com a assembleia dos fiéis. E o cantor que, após o comentário inicial,
anunciará o canto. Ele deve estar na
igreja pelo menos vinte minutos antes do início da celebração para
ensaiar os cantos com a assembleia, mesmo que estes
sejam conhecidos e haja poucas pessoas.
Técnicas para ensaiar os cantos:
Nem
sempre uma bela letra ou melodia chamam a atenção, caso
não sejam apresentadas devidamente. Quando um cantor
apresentar um canto novo para a assembleia,
deve sempre tomar o cuidado de apresentá-lo bem, pois é disso
que vai depender a participação do povo na
celebração.
Aí estão algumas regras que, bem
seguidas, garantirão uma real vivência do
que se está cantando.
1) Nunca dizer que o canto é
difícil ou feio! É bom recordar que os cantos a serem usados na celebração não
devem ser escolhidos por sua beleza, mas
pelo seu conteúdo textual correspondente
ao assunto da celebração. Mas lembro que melhor será se houver cantos correspondentes e bonitos. Deve-se dizer que o canto é fácil, de conteúdo
bíblico, ou inspirado na Bíblia (que
são critérios de cantos litúrgicos), e que
deste momento em diante fará parte do repertório da comunidade.
2) Escolher uma frase do canto e
fazer um belíssimo comentário, desenvolvendo,
de maneira sucinta, o sentido daquela frase, trazendo-a para o nosso dia-a-dia.
3) O cantor iniciará pedindo à
assembleia que, enquanto ele canta, o
acompanhe silenciosamente lendo o texto.
4) Quando o cantor estiver
cantando, não deverá dar grande volume à
sua voz. Por quê? Se a voz do cantor estiver um pouco baixa, toda a comunidade deverá dobrar o sentido da audição para assimilar a melodia. Do modo
contrário, poderá até irritar a
assembleia.
5) O cantor cantará até ires
vezes sozinho (sempre pedindo à assembleia
atenção) antes de pedir que a comunidade comece a cantar junto com ele.
6) Após ter cantado ires vezes,
ele pedirá para que a comunidade comece a cantar. Ele mesmo deverá pedir que a
comunidade cante a meia-voz. Pedir que a
comunidade cante a meia-voz tem um grande efeito: as pessoas se sentirão um
pouco mais seguras, pois sendo a
primeira vez que estão cantando com voz
baixa, o “erro”, se houver, não será ouvido.
7) Após o cantor e a assembleia
terem cantado pela primeira vez juntos, cabe
ao cantor elogiar a assembleia. Ó elogio faz muito bem a qualquer pessoa. Mesmo se o canto não saiu
como deveria sair.
8) O cantor, após ter elogiado a
assembleia, a convidará para cantarem mais uma vez. Até três ou quatro vezes,
sempre elogiando e pedindo que soltem mais
a sua voz. Assim, toda a comunidade já estará cantando esse canto novo.
9) Certamente o cantor notará que
algumas pessoas não estão cantando, pois se
julgam desafinadas. Como numa celebração os “desafinados” são poucos, o cantor deverá exortá-los: “Se Deus deu a alguém uma voz desafinada, Ele é
obrigado a aceitar. O importante é
todos cantarem unidos na voz e no amor
de Jesus!” Com certeza, todos estarão cantando. E em nenhum momento o
cantor deixará a assembleia cantar sozinha.
10) A
comunicação do cantor com a assembleia é importantíssima.
Quanto mais ele incentiva, elogia, fazendo pequenos comentários, mais ele
envolverá a assembleia, tomando-se sacramento
de sua função: cantor.
11) Durante o canto, o cantor
deve fazer pequenos gestos de regência para
orientar a comunidade. E uma coisa muito importante: a comunidade reunida deverá se sentir sempre orientada e segura com o cantor.
12) Todas as vezes em que o
cantor for anunciar um canto na celebração,
cabe a ele fazer uma brevíssima introdução. Por exemplo: iniciar com uma frase do canto! Desenvolver um brevíssimo comentário e convidar a assembleia a
entoá-lo com “o espírito que a frase
pede”. Neste caso, é bom o cantor escrever
estas “breves palavras” até que ele possa improvisar.
13) A expressão facial do cantor
deverá ser sempre uma expressão de alegria,
de incentivo, de ternura e de encorajamento para a assembleia. Ele deve (se possível) cantar não com a cabeça
14) É sempre bom lembrar que na
respiração está a base para se cantar bem. É bom saber que Deus nos dotou com essa
capacidade para que, através do canto, pudéssemos louvá-lo com tranquilidade também. Respirar de forma
correta faz bem e acalma o nosso organismo. No nosso caso, a respiração ideal é a chamada “respiração abdominal”, isto é, o ar,
quando inspirado, entra pelo nariz,
quando expirado, sai pela boca. Seria
interessante que o cantor motivasse a assembleia para um pequeno exercício respiratório antes da
celebração. (Respirar lentamente umas três vezes já faz um bom efeito).
15) A interpretação do canto é outro
fator de suma importância. Entre outras coisas, é função do cantor ensinar a
cantar. Não se canta apenas com a boca, mas todo o nosso ser deve participar. E é o cantor quem vai ensinar como se
canta uma música, dando expressão e vida à melodia. Gestos corporais, modulação da voz, emoção, vibração, acreditar no
que está cantando, levar para casa e viver aquela mensagem musical; tudo isto é extremamente importante dentro do que
diz um sábio dito popular: “Quem canta reza duas vezes”.
B. INSTRUMENTISTAS E OS
INSTRUMENTOS DE MÚSICA
l) Não existe um instrumento
chamado “sacro”. Assim como não existe
instrumento chamado “profano”. Estas convenções se dão a partir do uso a
que o instrumento for destinado. O instrumento em si é, se podemos dizer, “neutro”.
2) A função do instrumento
musical na Liturgia é a de sustentar o canto.
Portanto, ele deve estar bem afinado, bem cuidado e deve ser executado com arte, ou seja, sem
agressividade.
3) Além de acompanhar os cantos,
na celebração poderá haver “solos” de
instrumentos. Por exemplo, no momento das oferendas, onde o canto é facultativo. Mas todos os solos devem ser feitos
com absoluta suavidade. O instrumentista também está a serviço da Liturgia e não de sua autopromoção.
4) Se em algumas comunidades
houver vários instrumentos, não é
interessante e nem bonito que todos os instrumentos toquem em todas as músicas. Por exemplo: Canto de
entrada, Aclamação à Palavra, cantos
de louvor (Glória ou no término da celebração
dentro da igreja), todos os instrumentos podem acompanhar. No ato penitenciai, Salmo responsorial, Aclamações,
Cordeiro de Deus, é interessante tocar instrumentos que proporcionem maior suavidade, contribuindo assim para que estes momentos sejam realmente vivenciados e
correspondidos na sua natureza dentro
da celebração.
5) Solos, durante o momento da
consagração, não deveriam existir. Nem
aquelas sinetas deveriam ser tocadas. É um momento de silêncio absoluto
de adoração profunda. Se houver fundo
musical e sineta, os dois tocando é um verdadeiro exagero. Ou um ou outro! Mas, lembre-se: o ideal é o silêncio piedoso e profundo.
6) Os instrumentos são também
verdadeiros símbolos litórgicos. Ele sempre
nos remetem ao louvor. Com sua execução, eles ilustram muito bem o espírito do momento: alegria, procissão, tristeza, meditação. Tudo através do seu ritmo.
Por isso, a
7)
Antes do início do ato litúrgico, o instrumentista deve estar com o cantor para
auxiliá-lo nos ensaios de canto, mesmo que as músicas sejam as que cantaram “na
semana passada”.
8) O
instrumentista deverá ocupar um lugar onde o cantor possa vê-lo para eventuais
e discretas comunicações: tocar mais alto, ou mais baixo, acelerar ou diminuir
o ritmo, momento de parar etc.
9)
Instrumentista e cantor devem estar em profunda sintonia. Para tal, os ensaios
são imprescindíveis.
10)
Todo instrumentista deverá ter o cuidado em não omitir os acordes escritos nas
cifras. Às vezes, os cantos são prejudicados por serem tocados sem alguns
acordes, por falte de conhecimento dos instrumentistas. Caso haja algum acorde
que o instrumentista não saiba fazer (como: diminutas, acordes menores com
sétima, acordes maiores aumentados ou outros, ele deve procurar orientação).
Além de aumentar seu conhecimento técnico, estará colaborando para a execução
perfeita da melodia, tal como o autor a concebeu. Às vezes, estas posições dão
efeitos de grande beleza na melodia.
11)
Nenhum solo de instrumento, seja ele qual for, deverá ser feito com uso de microfone.
C. SALMISTA
A palavra já diz: aquele que
entoará o Salmo correspondente à
celebração.
1) O Salmo Responsorial faz parte
da Liturgia da Palavra. Não se pode omiti-lo
ou substituí-lo por outro canto.
2)
Todos os Salmos foram compostos para serem cantados e não rezados.
Daí, se não houver na Equipe de Dturgia um salmista,
3) O salmista deverá ter todas as
qualidades do cantor, prescritas acima, no item “a”.
4) Se o Salmo for rezado, o
salmista primeiro falará o refrão, e depois
repetirá junto com a assembleia.
N.B. Muitos liturgistas defendem
que o refrão deverá ser recitado somente pelo
povo, para corresponder com o caráter dialogai que é da natureza da Liturgia. Teoricamente é compreensível, mas na prática isto não funciona. Motivo: alguns
refrões ou até mesmo a maioria deles
são longos demais. Se o salmista não
tiver a sensibilidade de encurtá-los, a assembleia terá a dificuldade de decorá-lo para repetir,
principalmente se as estrofes do
Salmo forem grandes. É muito desagradável o salmista terminar a leitura das estrofes do Salmo, fazer um sinal para
a assembleia repetir o refrão e ouvir três ou quatro pessoas, com voz acanhada, recitando. Sou da teoria de que todo o animador litúrgico deve conduzir a
assembleia com segurança e a
assembleia jamais deverá se sentir insegur
5) Os Salmos pertencem a um género
literário. É sempre uma pessoa falando. Neles, nós
encontramos textos para todas as celebrações da Igreja. Há Salmos para um
momento de alegria, de saudade, de arrependimento, de pedido de vingança, de festa, de vida, de morte, para os dias de
enchente, de seca etc. Por isso, constituem
a literatura oficial da Igreja para as celebrações. Sendo assim, temos Salmos para todos os tempos litúrgicos. Por isso, a pessoa que estiver
lendo (não cantando) o Salmo deve
buscar e perceber que assunto o Salmo está
6) Há muitos Salmos, que foram musicados, cujas estrofes possuem melodias ritmadas, sem serem da natureza dos
tons gregorianos. Esses podem ser cantados, refrão e estrofes, por toda a assembleia. Os Salmos cujas estrofes
possuem melodias de tom gregoriano
ou são baseadas no gregoriano pelo sua forma,
como no caso dos Salmos usados nas Campanhas da Fraternidade, deverão ser cantados em caráter dialogai: a assembleia cantará apenas o refrão e o cantor
salmista fará o solo das estrofes.
7) Como os Salmos são destinados
a um momento de meditação, o seu
acompanhamento instrumental deverá ser feito com suavidade.
D.
LEITOR
O
leitor exerce um ministério tão importante quanto o do cantor,
do comentarista ou do salmista. Afinal é ele que proclama, e não apenas lê a Palavra de Deus.
1) Geralmente as leituras são
precedidas de um breve comentário. Enquanto
o comentarista está falando, o leitor já deve estar a postos ou já bem perto da Mesa da Palavra. Isto
para evitar aquele “vazio” que
acontece quando o leitor espera o comentarista terminar para sair do seu
lugar, caminhar até a Mesa da Palavra
e iniciar a leitura dos textos bíblicos. A Equipe de Liturgia deve proporcionar uma celebração fluente,
leve e gostosa.
2) O leitor deve prestar atenção
à leitura que vai fazer, pois o género
literário da Bíblia é bastante variado. Género literário é o estilo de um texto. Por exemplo: uma novela é
diferente de uma carta; um poema é
diferente de um conto. A leitura de uma
narração (Génesis, Êxodo) difere de uma leitura de um sermão ou dos oráculos proféticos (ex: uma
epistola ou um texto do profeta
Jeremias) e assim por diante. Cada um destes textos pertence a um género
literário e deve ser lido de acordo com
a sua natureza.
3) O leitor deve estar atento
para que as suas palavras estejam em sintonia
com a sua expressão facial e o seu tom de voz, que é o veículo de
ilustração por excelência do texto que está sendo proclamado. É sempre bom lembrar que na assembleia há pessoas que não sabem ler, e as que lêem nem
sempre prestam atenção no que está
sendo lido.
4) Portanto, o leitor deve fazer
exercícios de leitura em casa. É necessário saber destacar as frases faladas
dos personagens das frases de narração,
saber terminar uma frase exclamativa, uma
frase interrogativa, uma terminação com dois pontos; saber destacar,
pelo tom de voz, as palavras ou frases entre aspas.
Tudo isto se consegue com exercícios, paciência e perseverança.
5) As leituras, que serão feitas
na celebração, devem ser vistas com antecedência.
Seria muito bom não escolher pessoas ao acaso para fazer uma leitura. Há textos em que aparecem nomes de cidades, pessoas e povos que são muito estranhos
para nós. O leitor deverá, então, procurar se informar, sem constrangimento, como se pronuncia tais palavras.
6) A postura do leitor à Mesa da
Palavra, ou Ambão, deve traduzir a
dignidade do momento e do Livro que está sendo lido. Como a maioria das paróquias usa os folhetos
litúrgicos, não é interessante que se
pegue somente o folheto para ler. O correto
é ler o texto bíblico diretamente da Bíblia. Lembre-se que no momento das leituras Deus mesmo serve-se
do leitor para ser anunciado. Assim,
toda a assembleia verá que o texto está
na Bíblia. Quando terminar a leitura e for proclamar
7) Isto vale também para os
sacerdotes ou Presidentes de celebrações.
A leitura do Evangelho deverá ser feita da mesma maneira que as outras leituras: dentro de um Livro Sagrado. Eu já
presenciei a leitura do Evangelho, por sacerdotes, feita somente com o folheto na mão, e quando ele foi
elevar o folheto para proclamar “Palavra
da Salvação” ficou um gesto muito
vazio e pobre. Mesmo porque, infelizmente, encontramos muitos folhetos no chão
sendo pisados, e também transformados em barquinhos, leques, aviãozinho
e forro de genuflexório dos bancos, para
não sujar a roupa das pessoas quando
estas se ajoelham.
8) É bastante contraditório elevar um folheto proclamando Palavra do Senhor ou
Palavra da Salvação enquanto os seus iguais estão sendo tratados das maneiras
descritas acima.
9) Aos
leitores e aos que presidem à celebração cabe tudo isto. É preciso exercitar-se
sempre para proclamar com dignidade e convicção a Palavra do Senhor. Quando
você for ler uma carta, o entusiasmo deve traduzir um momento de expectativa,
de espera. Leia como se você tirasse aquela carta do envelope que acabou de
chegar e como se todos estivessem ansiosos para saber o que está escrito.
10)
Tudo isto, caro leitor, é possível. Acredite no chamado do Espírito Santo que o
quer neste ministério tão importante, e lembre-se que o texto lido não foi
escrito por você, Deus inspirou o autor e quer que você saiba proclamá-lo bem!
E. COMENTARISTA
1) Ao
comentarista cabe uma tarefa muito importante: é ele quem vai conduzir algumas
partes da celebração com breves comentários, colocando a assembleia dentro
daquele momento.
2) Nunca o comentarista deverá
chegar à estante de leitura e ficar com “um
pé dentro e outro fora” ou falar às pressas com cabeça baixa, só porque os comentários são breves.
3) Comentarista que age assim já
estraga tudo desde o começo. Um comentário deve ser muito bem feito. É
justamente isto que irá colocar a assembleia
na vivência do que vem depois.
4) É bom que o comentarista “prepare
por escrito” os comentários que irá fazer.
Assim, de acordo com as leituras, preces ou outros momentos em que irá agir, tenham também relação com a realidade de sua comunidade as palavras que
ele usará para aquele momento, além de exercitar sua criatividade.
5) Neste sentido, é bom que o
comentarista não seja trocado em todas as
celebrações. Assim ele vai se acostumando com as pessoas, vai se desinibindo e, conseqüentemente, sua criatividade nos comentários vai se aprimorando.
6) Cabe
ao comentarista dar as boas-vindas aos irmãos para a celebração.
Após as boas-vindas, ele irá iniciar o seu comentário, dando o motivo da
celebração. Poderá falar brevemente sobre a
mensagem do Evangelho, trazendo-a sempre para a realidade da sua comunidade.
7) Nunca o comentarista deve
terminar o seu comentário inicial convocando
a assembleia para ficar de pé e nem anunciando o canto de entrada. Quem
convida a assembleia a ficar de pé e anuncia o canto é o cantor.
8) O comentarista deverá ser
sucinto. A Homilia é função do celebrante.
F. RECEPCIONISTA
1) Ser recepcionista é uma função
muito importante. O recepcionista deverá
está à porta da Igreja para receber os fiéis, entregar a folha de canto, folheto litúrgico, conduzir os idosos a um bom local na Igreja ou no local de seu
costume ou
de preferência, ajudar as pessoas nos pacotes e
embrulhos; enfim, acolher os fiéis sempre
com expressão alegre.
2) Na realidade, esta é uma
função que “parece que não pegou”. Contudo,
há locais em que na Equipe de Liturgia existem pessoas com esta função.
3) Se não pegou é realmente
uma pena! Leia novamente o item n° 1. E uma
função muito bonita. São gestos de delicadeza, de respeito, de fraternidade, de solidariedade, de atenção, de apreço,
de ternura, enfim, de tudo o que humaniza e diviniza o irmão.
4) A
Liturgia deve oferecer às pessoas tudo o que o mundo nega lá
fora: justamente as coisas descritas no item 3. Tudo isto as pessoas devem encontrar na Cosa de Deus, e já
devem encontrar tudo logo na chegada.
5)
Todos temos espaço na Casa do Pai. E se a pessoa ama realmente
a sua função na Equipe de Liturgia, ela vai se tomando muito criativa. Vai começar a perceber as coisas, e vai estender a sua função na atenção a toda a
assembleia.
6) Cabe também ao recepcionista,
que deve ser uma pessoa com dotes para
relações humanas, conduzir, dentro de um espírito de extrema caridade, os irmãos bêbados para a
sacristia ou para o corredor, ou
mesmo para fora do recinto da Igreja, se estiverem atrapalhando a
celebração. Caso contrário, jamais.
7) Enfim, o recepcionista deverá
estar atento para que nada perturbe o
andamento da celebração.
8) Cabe também ao recepcionista
trabalhar em conjunto com o sonoplasta,
dando-lhe discretos sinais para aumentar ou diminuir o som, uma vez que estará bem atento ao todo da celebração.
G) SONOPLASIA
1) A Palavra de Deus, é sabido
por todos, tem vigor e força próprias. Mas,
para que seja anunciada e proclamada com clareza, é necessário um bom aparelho de som e alguém que saiba manejá-lo bem. Daí o papel importante
desempenhado pelo sonoplasta.
2)
Todos sabemos que a maioria de nossas igrejas tem péssima acústica.
Daí o uso da aparelhagem de som. Mas em muitos lugares, os microfones mais atrapalham do que ajudam. O que deveria ser o meio para comunicar a Palavra de
Deus com clareza, acaba por “matar” a Palavra. O som ruim na hora da homília do sacerdote toma-se extremamente
irritante.
3) É, pois, o sonoplasta o
responsável por esta parte: cuidar do som durante a celebração evitando, assim,
que essas coisas desagradáveis aconteçam.
4) O sonoplasta deverá ter a
sensibilidade de aumentar ou diminuir o volume do som; de testar os aparelhos;
de auxiliar os instrumentistas se forem usar guitarra ou cristal no violão; de auxiliar alguém que irá falar no microfone,
para ter uma boa distância do
aparelho etc.
5) Em algumas ocasiões usa-se
algum disco em determinadas partes da
celebração. Cabe ao sonoplasta, que não deverá entender apenas de som, mas também um pouco de Liturgia, saber colocar o disco certo naquele momento da
celebração. E quando ocorrer o fato
de a comunidade cantar com a ajuda do
disco, é bom ter o cuidado para que o som não esteja alto demais e venha a
abafar a voz da assembleia. (Ver n. 4, item A: Técnicas para ensaiar os cantos.)
6) Nem
sempre é o sonoplasta quem maneja o som. Quando ele está
ausente pode vir outra pessoa e fazer o seu trabalho. Mas é preciso atenção e
cuidado para não danificar a aparelhagem de
som, os discos, fitas etc. (Assim, tudo isso poderá servir à comunidade por mais tempo.) É bom lembrar que tudo
o que está na Casa de Deus deve ser bem tratado e conservado!
H. DECORADOR OU CARTAZISTA
1) É
bom saber que a linguagem da Liturgia é altamente simbólica. Por isso, tudo o
que pudermos recuperar para enriquecer o visual nas celebrações será melhor.
2) Nos
dias de festa, de solenidade, ou outras ocasiões oportunas, cabe à Equipe de
Liturgia providenciar um belo cartaz para ilustrar a celebração. Pode ser
desenho ou colagem, com uma frase forte, que realmente dê um grande efeito na
celebração.
3) O
mundo de hoje é um mundo de muito recurso visual; de comunicação petas cores,
luzes, sons, gestos etc. A Equipe de Liturgia deve aproveitar todos estes recursos que a tecnologia oferece para enriquecer as celebrações.
Caro leitor, apresentei aqui
algumas funções de uma Equipe de Liturgia. Infelizmente, devo
reconhecer que nem todas as paróquias têm,
em primeiro lugar, uma Equipe de Liturgia e, em segundo lugar, que nem todas as
Equipes têm pessoas ocupando as funções que foram descritas. Deixo a pergunta:
Por quê? Será por falta de confiança nos dons do Espírito Santo? Falta
de motivação do pároco? Falta de incentivo
dos membros da Equipe para novas
funções? Por acanhamento?... Fica para a consciência de cada um responder!
Quero crer que ficou bem claro a
importância de uma Equipe de Liturgia. E quero acreditar também que não deixei dúvidas quanto à sua seriedade!
O
Espírito Santo sempre se preocupou em dinamizar a sua Igreja; e quantos
ministérios. Ele suscitou para que as celebrações pós-conciliares
fossem realmente dinâmicas, plenas de vida. Tudo Isto para que o povo
despertasse para a Vida que Jesus veio trazer (Jo
10,10).
E tudo
vai depender da nossa conscientização sobre a importância
da função que desempenhamos na comunidade e da resposta que damos aos constantes apelos de Deus.
Se você
faz parte de uma Equipe de Liturgia, relembre a reflexão
feita logo no início deste capítulo sobre a palavra Equipe. E procure animar mais pessoas, encorajar seus
companheiros e companheiras a se
doarem através da Equipe; pois, diante de Deus, todos somos igualmente
importantes.
E que tudo seja feito para a
maior glória de Deus!
4. Reuniões das Equipes de
Liturgia
Todas as pessoas que
trabalham na Liturgia de uma paróquia devem se reunir pelo
menos duas vezes por mês. O ideal seria uma
vez por semana para preparar as celebrações.
Devem estar presentes todos os membros da
Equipe. Isto vale também para os instrumentistas que costumam não comparecer nessas reuniões.
Todos deverão ver os cantos, ensaiá-los
devidamente (por isso a presença do instrumentista), formular os comentários,
ver as leituras e treinar os leitores,
fazer algo criativo para a celebração. E
o mais importante: combinar absolutamente tudo com o celebrante, evitando, assim, as ansiedades que
normalmente precedem as celebrações. Daí, o porquê da presença do padre
nas reuniões. Uma coisa muito importante que
a Equipe de Liturgia deve fazer é
escolher os mesmos cantos para todas as celebrações. Além de ser um sinal de unidade, é altamente
educativo para a comunidade. Pois, se
uma pessoa costuma ir à celebração em determinado horário e, por
qualquer motivo, vai em outra celebração,
lá encontrará os mesmos cantos, podendo participar sem as dificuldades de aprender um “canto novo”.
Portanto, não é bom que as Equipes
de Celebração tenham suas “próprias músicas”. Daí a importância de escolher juntos. Vejo aqui uma única exceção para as missas com as crianças, com os
jovens e as missas “dos doentes e
idosos”.
As reuniões de Liturgia não devem ficar
restritas a ensaios de canto, escolha de
leituras etc. Acima de tudo, devem ter um caráter de oração e confraternização. É bom começar e encenar a reunião com uma oração, criando um clima onde
todos se sintam irmãos. E, caso haja alguma discussão, que tudo seja levado de forma natural e sem rancor, lembrando
que num grupo desta natureza, formado por líderes, é muito comum isso acontecer. Saber ouvir, saber discutir também é um dom!
Não é demais lembrar que
Equipe de Liturgia não tem vontade própria, pois a própria
Liturgia diz o que deve ser feito. E, dentro
disso, toda criatividade é bem aceita, desde que condizente.
Um outro tópico que não se pode deixar de
lado: A formação da Equipe. Todos os
membros devem ser bem formados e informados.
Para tal, a participação em cursos, estudos dos livros, revistas e subsídios Ittúrgicos. Aí está o sinal
da sabedoria: “Porque, verdadeiramente, desde o começo, seu desejo é
instruir, e desejar instruir-se é amá-la”
(Sb 6,17).
E a quem compete a compra
desse material de estudo? Ao vigário! A ele compete equipar o
grupo: discos, fitas cassete, cartazes,
símbolos, livros, revistas, folhetins etc. Tudo isso deve fazer parte do acervo da Equipe: tudo deve ser
fornecido pela paróquia.
Nos cursos que dou pelo
Brasil encontro muitas pessoas que participam, pagando do seu
próprio bolso o Curso, discos, fitas, livros
etc. Se querem comprar para si, tudo bem; mas, se compram para a paróquia é natural que sejam reembolsadas.
Por isso, oriento-os a falar com o
padre, sem constrangimento, sobre tal assunto.
Se observarmos bem todas as
instituições, sejam quais forem, estão equipadas “até os dentes” para se
fazerem presentesna sociedade. Neste ponto, a Igreja tem muito a aprender e
caminhar. Quantas coisas estão à nossa disposição e não percebemos. Quem tem
olhos para ver!...
Deu para sentir a importância de uma reunião?