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Jesus te espera ansiosamente...

   

Formação 1 - A Equipe de Liturgia e suas funções

(Este  texto foi retirado do livro  "Dinâmica para a Equipe de Liturgia", do Frei Fabreti, OFM, Editora Vozes, Edição 11.  Sugerimos que adquira um exemplar para estudar com sua comunidade)

1.      Equipe de Liturgia

 

Para falarmos sobre Equipe de Liturgia não devemos ir logo falando nas “funções” de cada um na celebração, mas devemos primeiramente fazer uma reflexão sobre a palavra Equipe.

Equipe é um grupo de pessoas que trabalham harmoniosa­mente.

Em primeiro plano, podemos deduzir que: são pessoas que se entendem! Uma Equipe existe, e só tem sentido de existir, se tiver um grande ideal, motivo, conquista etc. É justamente isto que move uma Equipe, que vai impulsioná-la na busca de suas realizações.

Uma Equipe de Liturgia existe para um grande trabalho, uma grande realização: animar as celebrações.

Para animar, a Equipe não pode ser desanimada. Para isto tem que estar preparada e ser bem entrosada, o que, alias, é o segredo de grandes vitórias das diversas equipes.

Como vimos acima, uma Equipe tem uma causa comum. A causa da Equipe de Liturgia é justamente o significado da palavra Liturgia: “Serviço”! A Equipe deve gostar de trabalhar; deve ser apaixonada pelo que faz, pois o amor é criativo. O amor não deixa nada faltar, nada esquecer e nem desanima. Por isso, amor e serviço caminham juntos. Afinal, por que as mães têm tanto trabalho com os filhos? Assim devem ser o amor, a postura e o objetivo de uma Equipe de Liturgia.

2.      Quem faz parte da Equipe de Liturgia?

 

Muita gente pensa que Equipe de Liturgia é composta somente por cantores e leitores. Não é só isto, não! Além dos cantores e leitores, temos: comentaristas, instrumentistas, sal­mistas, recepcionistas, sonoplastas e, se possível, decoradores e cartazistas que, com sua criatividade, colocarão cartazes e sím­bolos para que o “visual” também esteja a serviço da Palavra.

Todas estas pessoas têm um ministério litúrgico a ser desenvolvido. E para isto se faz necessário um crescimento embasado numa vivência de oração e unidade constante. A elas compete preparar as reuniões, planejar as celebrações, tudo em perfeita sintonia. Também em perfeita sintonia com a Equipe deve estar o vigário ou o que irá presidir a celebração.

3.      As Funções de cada membro da Equipe

 

A. CANTOR

Ao cantor cabe a função de animar a celebração com os cantos e hinos litúrgicos. Deve ter boa voz, bom ouvido musical, senso rítmico e muita comunicação com a assembleia dos fiéis. E o cantor que, após o comentário inicial, anunciará o canto. Ele deve estar na igreja pelo menos vinte minutos antes do início da celebração para ensaiar os cantos com a assembleia, mesmo que estes sejam conhecidos e haja poucas pessoas.

Técnicas para ensaiar os cantos:

Nem sempre uma bela letra ou melodia chamam a atenção, caso não sejam apresentadas devidamente. Quando um cantor

apresentar um canto novo para a assembleia, deve sempre tomar o cuidado de apresentá-lo bem, pois é disso que vai depender a participação do povo na celebração.

Aí estão algumas regras que, bem seguidas, garantirão uma real vivência do que se está cantando.

1) Nunca dizer que o canto é difícil ou feio! É bom recordar que os cantos a serem usados na celebração não devem ser escolhidos por sua beleza, mas pelo seu conteúdo textual correspondente ao assunto da celebração. Mas lembro que melhor será se houver cantos correspondentes e bonitos. Deve-se dizer que o canto é fácil, de conteúdo bíblico, ou inspirado na Bíblia (que são critérios de cantos litúrgicos), e que deste momento em diante fará parte do repertório da comunidade.

2) Escolher uma frase do canto e fazer um belíssimo comentário, desenvolvendo, de maneira sucinta, o sentido daquela frase, trazendo-a para o nosso dia-a-dia.

3) O cantor iniciará pedindo à assembleia que, enquanto ele canta, o acompanhe silenciosamente lendo o texto.

4) Quando o cantor estiver cantando, não deverá dar grande volume à sua voz. Por quê? Se a voz do cantor estiver um pouco baixa, toda a comunidade deverá dobrar o sentido da audição para assimilar a melodia. Do modo contrário, poderá até irritar a assembleia.

5) O cantor cantará até ires vezes sozinho (sempre pedindo à assembleia atenção) antes de pedir que a comunidade comece a cantar junto com ele.

6) Após ter cantado ires vezes, ele pedirá para que a comunidade comece a cantar. Ele mesmo deverá pedir que a comunidade cante a meia-voz. Pedir que a comunidade cante a meia-voz tem um grande efeito: as pessoas se sentirão um pouco mais seguras, pois sendo a primeira vez que estão cantando com voz baixa, o “erro”, se houver, não será ouvido.

7) Após o cantor e a assembleia terem cantado pela primeira vez juntos, cabe ao cantor elogiar a assembleia. Ó elogio faz muito bem a qualquer pessoa. Mesmo se o canto não saiu como deveria sair.

8) O cantor, após ter elogiado a assembleia, a convidará para cantarem mais uma vez. Até três ou quatro vezes, sempre elogiando e pedindo que soltem mais a sua voz. Assim, toda a comunidade já estará cantando esse canto novo.

9) Certamente o cantor notará que algumas pessoas não estão cantando, pois se julgam desafinadas. Como numa celebração os “desafinados” são poucos, o cantor deverá exortá-los: “Se Deus deu a alguém uma voz desafinada, Ele é obrigado a aceitar. O importante é todos cantarem unidos na voz e no amor de Jesus!” Com certeza, todos estarão cantando. E em nenhum momento o cantor deixará a assembleia cantar sozinha.

10) A comunicação do cantor com a assembleia é importantís­sima. Quanto mais ele incentiva, elogia, fazendo pequenos comentários, mais ele envolverá a assembleia, tomando-se sacramento de sua função: cantor.

11) Durante o canto, o cantor deve fazer pequenos gestos de regência para orientar a comunidade. E uma coisa muito importante: a comunidade reunida deverá se sentir sempre orientada e segura com o cantor.

12) Todas as vezes em que o cantor for anunciar um canto na celebração, cabe a ele fazer uma brevíssima introdução. Por exemplo: iniciar com uma frase do canto! Desenvolver um brevíssimo comentário e convidar a assembleia a entoá-lo com “o espírito que a frase pede”. Neste caso, é bom o cantor escrever estas “breves palavras” até que ele possa improvisar.

13) A expressão facial do cantor deverá ser sempre uma expressão de alegria, de incentivo, de ternura e de encorajamento para a assembleia. Ele deve (se possível) cantar não com a cabeça abaixada na letra, mas sempre com o rosto erguido. Para isto, deve decorar pelo menos o refrão. E se nem isto for possível, que ele dê rápidas olhadas na letra e se volte para a assembleia, que, com o tempo, também irá decorar o refrão e estará de olho no cantor. Se isto acontecer com você, caro cantor, a sua equipe e sua comunidade terão percorrido um. bom caminho.

14) É sempre bom lembrar que na respiração está a base para se cantar bem. É bom saber que Deus nos dotou com essa capacidade para que, através do canto, pudéssemos louvá-lo com tranquilidade também. Respirar de forma correta faz bem e acalma o nosso organismo. No nosso caso, a respiração ideal é a chamada “respiração abdominal”, isto é, o ar, quando inspirado, entra pelo nariz, quando expirado, sai pela boca. Seria interessante que o cantor motivasse a assembleia para um pequeno exercício respiratório antes da celebração. (Res­pirar lentamente umas três vezes já faz um bom efeito).

15) A interpretação do canto é outro fator de suma importância. Entre outras coisas, é função do cantor ensinar a cantar. Não se canta apenas com a boca, mas todo o nosso ser deve participar. E é o cantor quem vai ensinar como se canta uma música, dando expressão e vida à melodia. Gestos corporais, modulação da voz, emoção, vibração, acreditar no que está cantando, levar para casa e viver aquela mensagem musical; tudo isto é extremamente importante dentro do que diz um sábio dito popular: “Quem canta reza duas vezes”.

B. INSTRUMENTISTAS E OS INSTRUMENTOS DE MÚSICA

l) Não existe um instrumento chamado “sacro”. Assim como não existe instrumento chamado “profano”. Estas convenções se dão a partir do uso a que o instrumento for destinado. O instrumento em si é, se podemos dizer, “neutro”.

2) A função do instrumento musical na Liturgia é a de sustentar o canto. Portanto, ele deve estar bem afinado, bem cuidado e deve ser executado com arte, ou seja, sem agressividade.

3) Além de acompanhar os cantos, na celebração poderá haver “solos” de instrumentos. Por exemplo, no momento das ofe­rendas, onde o canto é facultativo. Mas todos os solos devem ser feitos com absoluta suavidade. O instrumentista também está a serviço da Liturgia e não de sua autopromoção.

4) Se em algumas comunidades houver vários instrumentos, não é interessante e nem bonito que todos os instrumentos toquem em todas as músicas. Por exemplo: Canto de entrada, Aclama­ção à Palavra, cantos de louvor (Glória ou no término da celebração dentro da igreja), todos os instrumentos podem acompanhar. No ato penitenciai, Salmo responsorial, Aclama­ções, Cordeiro de Deus, é interessante tocar instrumentos que proporcionem maior suavidade, contribuindo assim para que estes momentos sejam realmente vivenciados e corres­pondidos na sua natureza dentro da celebração.

5) Solos, durante o momento da consagração, não deveriam existir. Nem aquelas sinetas deveriam ser tocadas. É um momento de silêncio absoluto de adoração profunda. Se houver fundo musical e sineta, os dois tocando é um ver­dadeiro exagero. Ou um ou outro! Mas, lembre-se: o ideal é o silêncio piedoso e profundo.

6) Os instrumentos são também verdadeiros símbolos litórgicos. Ele sempre nos remetem ao louvor. Com sua execução, eles ilustram muito bem o espírito do momento: alegria, procissão, tristeza, meditação. Tudo através do seu ritmo. Por isso, a Equipe de Liturgia deverá estar atenta ao tempo liiúrgico, principalmente Advento e Quaresma, onde se pede um único instrumento somente para sustentar os cantos. E na Semana Santa é interessante que nenhum instrumento seja tocado. Como na maioria das comunidades a celebração é animada com um só instrumento, este deverá, durante o Advento e Quaresma, ser dedilhado. Se for harmónio ou órgão, que sejam usados poucos registros.

7) Antes do início do ato litúrgico, o instrumentista deve estar com o cantor para auxiliá-lo nos ensaios de canto, mesmo que as músicas sejam as que cantaram “na semana passada”.

8) O instrumentista deverá ocupar um lugar onde o cantor possa vê-lo para eventuais e discretas comunicações: tocar mais alto, ou mais baixo, acelerar ou diminuir o ritmo, momento de parar etc.

9) Instrumentista e cantor devem estar em profunda sintonia. Para tal, os ensaios são imprescindíveis.

10) Todo instrumentista deverá ter o cuidado em não omitir os acordes escritos nas cifras. Às vezes, os cantos são prejudi­cados por serem tocados sem alguns acordes, por falte de conhecimento dos instrumentistas. Caso haja algum acorde que o instrumentista não saiba fazer (como: diminutas, acordes menores com sétima, acordes maiores aumentados ou outros, ele deve procurar orientação). Além de aumentar seu conhecimento técnico, estará colaborando para a execu­ção perfeita da melodia, tal como o autor a concebeu. Às vezes, estas posições dão efeitos de grande beleza na melodia.

11) Nenhum solo de instrumento, seja ele qual for, deverá ser feito com uso de microfone.

C. SALMISTA

A palavra já diz: aquele que entoará o Salmo corres­pondente à celebração.

1) O Salmo Responsorial faz parte da Liturgia da Palavra. Não se pode omiti-lo ou substituí-lo por outro canto.

2) Todos os Salmos foram compostos para serem cantados e não rezados. Daí, se não houver na Equipe de Dturgia um salmista, quem deverá entoá-lo ou rezá-lo será o cantor da Equipe de Celebração.

3) O salmista deverá ter todas as qualidades do cantor, prescritas acima, no item “a”.

4) Se o Salmo for rezado, o salmista primeiro falará o refrão, e depois repetirá junto com a assembleia.

N.B. Muitos liturgistas defendem que o refrão deverá ser recitado somente pelo povo, para corresponder com o caráter dialogai que é da natureza da Liturgia. Teoricamente é compreensível, mas na prática isto não funciona. Motivo: alguns refrões ou até mesmo a maioria deles são longos demais. Se o salmista não tiver a sensibilidade de encurtá-los, a assembleia terá a dificuldade de decorá-lo para repetir, principalmente se as estrofes do Salmo forem grandes. É muito desagradável o salmista terminar a leitura das estrofes do Salmo, fazer um sinal para a assembleia repetir o refrão e ouvir três ou quatro pessoas, com voz acanhada, recitando. Sou da teoria de que todo o animador litúrgico deve conduzir a assembleia com segurança e a assembleia jamais deverá se sentir insegura nestes momentos. Isto é de longa experiência minha. Quando o salmista pedir à assembleia para cantar/dizer o refrão do Salmo, é bom que não diga a palavra todos, mas faça um um discreto gesto com as mãos, rezando junto com ela. O tom da voz, no final das frases finais, também orientará a assembleia para perceber que logo virá o versículo do refrão.

5) Os Salmos pertencem a um género literário. É sempre uma pessoa falando. Neles, nós encontramos textos para todas as celebrações da Igreja. Há Salmos para um momento de ale­gria, de saudade, de arrependimento, de pedido de vingança, de festa, de vida, de morte, para os dias de enchente, de seca etc. Por isso, constituem a literatura oficial da Igreja para as celebrações. Sendo assim, temos Salmos para todos os tempos  litúrgicos. Por isso, a pessoa que estiver lendo (não cantando) o Salmo deve buscar e perceber que assunto o Salmo está abordando, isto porque a expressão facial na leitura é muito importante. Se o Salmo fala de tristeza, uma entonação triste deve aparecer na voz e no rosto; se for o caso do Salmo 150, por exemplo, a entonação da voz e a expressão facial será de uma grande alegria. Voz e corpo devem estar em sintonia na leitura, assim como no canto.

6) Há muitos Salmos, que foram musicados, cujas estrofes pos­suem melodias ritmadas, sem serem da natureza dos tons gregorianos. Esses podem ser cantados, refrão e estrofes, por toda a assembleia. Os Salmos cujas estrofes possuem melodias de tom gregoriano ou são baseadas no gregoriano pelo sua forma, como no caso dos Salmos usados nas Campanhas da Fraternidade, deverão ser cantados em caráter dialogai: a assembleia cantará apenas o refrão e o cantor salmista fará o solo das estrofes.

7) Como os Salmos são destinados a um momento de meditação, o seu acompanhamento instrumental deverá ser feito com suavidade.

D. LEITOR

O leitor exerce um ministério tão importante quanto o do cantor, do comentarista ou do salmista. Afinal é ele que proclama, e não apenas lê a Palavra de Deus.

1) Geralmente as leituras são precedidas de um breve comentário. Enquanto o comentarista está falando, o leitor já deve estar a postos ou já bem perto da Mesa da Palavra. Isto para evitar aquele “vazio” que acontece quando o leitor espera o comen­tarista terminar para sair do seu lugar, caminhar até a Mesa da Palavra e iniciar a leitura dos textos bíblicos. A Equipe de Liturgia deve proporcionar uma celebração fluente, leve e gostosa.

2) O leitor deve prestar atenção à leitura que vai fazer, pois o género literário da Bíblia é bastante variado. Género literário é o estilo de um texto. Por exemplo: uma novela é diferente de uma carta; um poema é diferente de um conto. A leitura de uma narração (Génesis, Êxodo) difere de uma leitura de um sermão ou dos oráculos proféticos (ex: uma epistola ou um texto do profeta Jeremias) e assim por diante. Cada um destes textos pertence a um género literário e deve ser lido de acordo com a sua natureza.

3) O leitor deve estar atento para que as suas palavras estejam em sintonia com a sua expressão facial e o seu tom de voz, que é o veículo de ilustração por excelência do texto que está sendo proclamado. É sempre bom lembrar que na assembleia há pessoas que não sabem ler, e as que lêem nem sempre prestam atenção no que está sendo lido.

4) Portanto, o leitor deve fazer exercícios de leitura em casa. É necessário saber destacar as frases faladas dos personagens das frases de narração, saber terminar uma frase exclamativa, uma frase interrogativa, uma terminação com dois pontos; saber destacar, pelo tom de voz, as palavras ou frases entre aspas. Tudo isto se consegue com exercícios, paciência e perseverança.

5) As leituras, que serão feitas na celebração, devem ser vistas com antecedência. Seria muito bom não escolher pessoas ao acaso para fazer uma leitura. Há textos em que aparecem nomes de cidades, pessoas e povos que são muito estranhos para nós. O leitor deverá, então, procurar se informar, sem cons­trangimento, como se pronuncia tais palavras.

6) A postura do leitor à Mesa da Palavra, ou Ambão, deve traduzir a dignidade do momento e do Livro que está sendo lido. Como a maioria das paróquias usa os folhetos litúrgicos, não é interessante que se pegue somente o folheto para ler. O correto é ler o texto bíblico diretamente da Bíblia. Lembre-se que no momento das leituras Deus mesmo serve-se do leitor para ser anunciado. Assim, toda a assembleia verá que o texto está na Bíblia. Quando terminar a leitura e for proclamar “Palavra do Senhor”, o leitor elevará um pouco o Livro Sagrado da estante, solenizando mais este momento. Afinal, toda a Bíblia é a Palavra do Senhor.

7) Isto vale também para os sacerdotes ou Presidentes de cele­brações. A leitura do Evangelho deverá ser feita da mesma maneira que as outras leituras: dentro de um Livro Sagrado. Eu já presenciei a leitura do Evangelho, por sacerdotes, feita somente com o folheto na mão, e quando ele foi elevar o folheto para proclamar “Palavra da Salvação” ficou um gesto muito vazio e pobre. Mesmo porque, infelizmente, encontra­mos muitos folhetos no chão sendo pisados, e também trans­formados em barquinhos, leques, aviãozinho e forro de genuflexório dos bancos, para não sujar a roupa das pessoas quando estas se ajoelham.

8) É bastante contraditório elevar um folheto proclamando Palavra do Senhor ou Palavra da Salvação enquanto os seus iguais estão sendo tratados das maneiras descritas acima.

9) Aos leitores e aos que presidem à celebração cabe tudo isto. É preciso exercitar-se sempre para proclamar com dignidade e convicção a Palavra do Senhor. Quando você for ler uma carta, o entusiasmo deve traduzir um momento de expectativa, de espera. Leia como se você tirasse aquela carta do envelope que acabou de chegar e como se todos estivessem ansiosos para saber o que está escrito.

10) Tudo isto, caro leitor, é possível. Acredite no chamado do Espírito Santo que o quer neste ministério tão importante, e lembre-se que o texto lido não foi escrito por você, Deus inspirou o autor e quer que você saiba proclamá-lo bem!

E. COMENTARISTA

1) Ao comentarista cabe uma tarefa muito importante: é ele quem vai conduzir algumas partes da celebração com breves comen­tários, colocando a assembleia dentro daquele momento.

2) Nunca o comentarista deverá chegar à estante de leitura e ficar com “um pé dentro e outro fora” ou falar às pressas com cabeça baixa, só porque os comentários são breves.

3) Comentarista que age assim já estraga tudo desde o começo. Um comentário deve ser muito bem feito. É justamente isto que irá colocar a assembleia na vivência do que vem depois.

4) É bom que o comentarista “prepare por escrito” os comentários que irá fazer. Assim, de acordo com as leituras, preces ou outros momentos em que irá agir, tenham também relação com a realidade de sua comunidade as palavras que ele usará para aquele momento, além de exercitar sua criatividade.

5) Neste sentido, é bom que o comentarista não seja trocado em todas as celebrações. Assim ele vai se acostumando com as pessoas, vai se desinibindo e, conseqüentemente, sua criati­vidade nos comentários vai se aprimorando.

6) Cabe ao comentarista dar as boas-vindas aos irmãos para a celebração. Após as boas-vindas, ele irá iniciar o seu comen­tário, dando o motivo da celebração. Poderá falar brevemente sobre a mensagem do Evangelho, trazendo-a sempre para a realidade da sua comunidade.

7) Nunca o comentarista deve terminar o seu comentário inicial convocando a assembleia para ficar de pé e nem anunciando o canto de entrada. Quem convida a assembleia a ficar de pé e anuncia o canto é o cantor.

8) O comentarista deverá ser sucinto. A Homilia é função do celebrante.

F. RECEPCIONISTA

1) Ser recepcionista é uma função muito importante. O recepci­onista deverá está à porta da Igreja para receber os fiéis, entregar a folha de canto, folheto litúrgico, conduzir os idosos a um bom local na Igreja ou no local de seu costume ou de preferência, ajudar as pessoas nos pacotes e embrulhos; enfim, acolher os fiéis sempre com expressão alegre.

2) Na realidade, esta é uma função que “parece que não pegou”. Contudo, há locais em que na Equipe de Liturgia existem pessoas com esta função.

3) Se não pegou é realmente uma pena! Leia novamente o item n° 1. E uma função muito bonita. São gestos de delicadeza, de respeito, de fraternidade, de solidariedade, de atenção, de apreço, de ternura, enfim, de tudo o que humaniza e diviniza o irmão.

4) A Liturgia deve oferecer às pessoas tudo o que o mundo nega lá fora: justamente as coisas descritas no item 3. Tudo isto as pessoas devem encontrar na Cosa de Deus, e já devem encontrar tudo logo na chegada.

5) Todos temos espaço na Casa do Pai. E se a pessoa ama realmente a sua função na Equipe de Liturgia, ela vai se tomando muito criativa. Vai começar a perceber as coisas, e vai estender a sua função na atenção a toda a assembleia.

6) Cabe também ao recepcionista, que deve ser uma pessoa com dotes para relações humanas, conduzir, dentro de um espírito de extrema caridade, os irmãos bêbados para a sacristia ou para o corredor, ou mesmo para fora do recinto da Igreja, se estiverem atrapalhando a celebração. Caso contrário, jamais.

7) Enfim, o recepcionista deverá estar atento para que nada perturbe o andamento da celebração.

8) Cabe também ao recepcionista trabalhar em conjunto com o sonoplasta, dando-lhe discretos sinais para aumentar ou diminuir o som, uma vez que estará bem atento ao todo da celebração.

G) SONOPLASIA

1) A Palavra de Deus, é sabido por todos, tem vigor e força próprias. Mas, para que seja anunciada e proclamada com clareza, é necessário um bom aparelho de som e alguém que saiba manejá-lo bem. Daí o papel importante desempenhado pelo sonoplasta.

2) Todos sabemos que a maioria de nossas igrejas tem péssima acústica. Daí o uso da aparelhagem de som. Mas em muitos lugares, os microfones mais atrapalham do que ajudam. O que deveria ser o meio para comunicar a Palavra de Deus com clareza, acaba por “matar” a Palavra. O som ruim na hora da homília do sacerdote toma-se extremamente irritante.

3) É, pois, o sonoplasta o responsável por esta parte: cuidar do som durante a celebração evitando, assim, que essas coisas desagradáveis aconteçam.

4) O sonoplasta deverá ter a sensibilidade de aumentar ou diminuir o volume do som; de testar os aparelhos; de auxiliar os instrumentistas se forem usar guitarra ou cristal no violão; de auxiliar alguém que irá falar no microfone, para ter uma boa distância do aparelho etc.

5) Em algumas ocasiões usa-se algum disco em determinadas partes da celebração. Cabe ao sonoplasta, que não deverá entender apenas de som, mas também um pouco de Liturgia, saber colocar o disco certo naquele momento da celebração. E quando ocorrer o fato de a comunidade cantar com a ajuda do disco, é bom ter o cuidado para que o som não esteja alto demais e venha a abafar a voz da assembleia. (Ver n. 4, item A: Técnicas para ensaiar os cantos.)

6) Nem sempre é o sonoplasta quem maneja o som. Quando ele está ausente pode vir outra pessoa e fazer o seu trabalho. Mas é preciso atenção e cuidado para não danificar a aparelhagem de som, os discos, fitas etc. (Assim, tudo isso poderá servir à comunidade por mais tempo.) É bom lembrar que tudo o que está na Casa de Deus deve ser bem tratado e conservado!

H. DECORADOR OU CARTAZISTA

1) É bom saber que a linguagem da Liturgia é altamente simbólica. Por isso, tudo o que pudermos recuperar para enriquecer o visual nas celebrações será melhor.

2) Nos dias de festa, de solenidade, ou outras ocasiões oportunas, cabe à Equipe de Liturgia providenciar um belo cartaz para ilustrar a celebração. Pode ser desenho ou colagem, com uma frase forte, que realmente dê um grande efeito na celebração.

3) O mundo de hoje é um mundo de muito recurso visual; de comunicação petas cores, luzes, sons, gestos etc. A Equipe de Liturgia deve aproveitar todos estes recursos que a tecnologia oferece para enriquecer as celebrações.

Caro leitor, apresentei aqui algumas funções de uma Equipe de Liturgia. Infelizmente, devo reconhecer que nem todas as paróquias têm, em primeiro lugar, uma Equipe de Liturgia e, em segundo lugar, que nem todas as Equipes têm pessoas ocupando as funções que foram descritas. Deixo a pergunta: Por quê? Será por falta de confiança nos dons do Espírito Santo? Falta de motivação do pároco? Falta de incentivo dos membros da Equipe para novas funções? Por acanhamento?... Fica para a consciência de cada um responder!

Quero crer que ficou bem claro a importância de uma Equipe de Liturgia. E quero acreditar também que não deixei dúvidas quanto à sua seriedade!

O Espírito Santo sempre se preocupou em dinamizar a sua Igreja; e quantos ministérios. Ele suscitou para que as celebrações pós-conciliares fossem realmente dinâmicas, plenas de vida. Tudo Isto para que o povo despertasse para a Vida que Jesus veio trazer (Jo 10,10).

E tudo vai depender da nossa conscientização sobre a importância da função que desempenhamos na comunidade e da resposta que damos aos constantes apelos de Deus.

Se você faz parte de uma Equipe de Liturgia, relembre a reflexão feita logo no início deste capítulo sobre a palavra Equipe. E procure animar mais pessoas, encorajar seus companheiros e companheiras a se doarem através da Equipe; pois, diante de Deus, todos somos igualmente importantes.

E que tudo seja feito para a maior glória de Deus!

4. Reuniões das Equipes de Liturgia

Todas as pessoas que trabalham na Liturgia de uma paróquia devem se reunir pelo menos duas vezes por mês. O ideal seria uma vez por semana para preparar as celebrações.

Devem estar presentes todos os membros da Equipe. Isto vale também para os instrumentistas que costumam não com­parecer nessas reuniões.

Todos deverão ver os cantos, ensaiá-los devidamente (por isso a presença do instrumentista), formular os comentários, ver as leituras e treinar os leitores, fazer algo criativo para a celebração. E o mais importante: combinar absolutamente tudo com o cele­brante, evitando, assim, as ansiedades que normalmente pre­cedem as celebrações. Daí, o porquê da presença do padre nas reuniões. Uma coisa muito importante que a Equipe de Liturgia deve fazer é escolher os mesmos cantos para todas as celebrações. Além de ser um sinal de unidade, é altamente educativo para a comunidade. Pois, se uma pessoa costuma ir à celebração em determinado horário e, por qualquer motivo, vai em outra cele­bração, lá encontrará os mesmos cantos, podendo participar sem as dificuldades de aprender um “canto novo”. Portanto, não é bom que as Equipes de Celebração tenham suas “próprias músi­cas”. Daí a importância de escolher juntos. Vejo aqui uma única exceção para as missas com as crianças, com os jovens e as missas “dos doentes e idosos”.

As reuniões de Liturgia não devem ficar restritas a ensaios de canto, escolha de leituras etc. Acima de tudo, devem ter um caráter de oração e confraternização. É bom começar e encenar a reunião com uma oração, criando um clima onde todos se sintam irmãos. E, caso haja alguma discussão, que tudo seja levado de forma natural e sem rancor, lembrando que num grupo desta natureza, formado por líderes, é muito comum isso aconte­cer. Saber ouvir, saber discutir também é um dom!

Não é demais lembrar que Equipe de Liturgia não tem vontade própria, pois a própria Liturgia diz o que deve ser feito. E, dentro disso, toda criatividade é bem aceita, desde que con­dizente.

Um outro tópico que não se pode deixar de lado: A forma­ção da Equipe. Todos os membros devem ser bem formados e informados. Para tal, a participação em cursos, estudos dos livros, revistas e subsídios Ittúrgicos. Aí está o sinal da sabedoria: “Porque, verdadeiramente, desde o começo, seu desejo é instruir, e desejar instruir-se é amá-la” (Sb 6,17).

E a quem compete a compra desse material de estudo? Ao vigário! A ele compete equipar o grupo: discos, fitas cassete, cartazes, símbolos, livros, revistas, folhetins etc. Tudo isso deve fazer parte do acervo da Equipe: tudo deve ser fornecido pela paróquia.

Nos cursos que dou pelo Brasil encontro muitas pessoas que participam, pagando do seu próprio bolso o Curso, discos, fitas, livros etc. Se querem comprar para si, tudo bem; mas, se compram para a paróquia é natural que sejam reembolsadas. Por isso, oriento-os a falar com o padre, sem constrangimento, sobre tal assunto.

Se observarmos bem todas as instituições, sejam quais forem, estão equipadas “até os dentes” para se fazerem presentesna sociedade. Neste ponto, a Igreja tem muito a aprender e caminhar. Quantas coisas estão à nossa disposição e não percebemos. Quem tem olhos para ver!...

Deu para sentir a importância de uma reunião?

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